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Medina Ribeiro - 15/03/2000 |
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Jeremias XXXIV- Um ''Hacker'' à Portuguesa | ||
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Nunca pensei que o meu amigo Coronel, aos 86 anos de idade, ainda estivesse disposto a pregar partidas de Carnaval. Pois na noite da terça-feira de Entrudo, quando eu e a Rosarinho (a minha nova namorada) o resolvemos visitar, esperava-nos uma grande surpresa: Uma enorme algazarra, vinda da sua janela das águas-furtadas, extravasava para a rua fazendo mesmo parar os transeuntes mais curiosos. No entanto, e para nossa grande admiração, viemos a saber que aquela autêntica festa era apenas restrita a três pessoas: O Coronel (evidentemente), a minha prima Ana Crónica (também era de prever...) e ainda - e aqui é que estava o grande espanto - o refinado meliante Joaquim Tira-Tripas! Quando o nosso amigo assomou à janela para ver quem tocava à campainha, atirou-nos uma serpentina lá de cima e desatou a tocar, numa corneta da tropa, a ordem de ''atacar''! Como, ao mesmo tempo, accionou a incrível geringonça de abrir a porta, concluímos, e bem, que era o sinal para entrarmos... «Enfim» - pensei eu - «cada um diverte-se como pode, e o importante é que o pessoal esteja feliz!». E subimos para nos juntarmos à paródia. As taças de champanhe e os copos de whisky espalhados pelo quarto não eram de estranhar, pois já se adivinhavam. Mas o que nos chamou a atenção foi o facto de que eles, de um momento para o outro, se acalmaram completamente, ficando sossegados e calados de roda de um computador ligado à Internet! Para cúmulo, ao aparecer uma determinada página (de que, pelos vistos, andavam à procura), ficaram ainda mais sérios e começaram a observá-la com a máxima atenção... - Olha, essa dá descargas de 5.000 Volts! - Comentou, com um arrepio, a minha prima apontando para uma imagem no monitor onde era visível uma estranha maquineta. - Chiça! - exclamou o Joaquim, dando um salto na cadeira. - São todas assim? - Há piores... - respondeu o Coronel - Já vais ver as de 10.000 Volts! - E vendem-se nas lojas?! - Quis saber o outro, começando a suar. - Claro. No meu supermercado têm-se vendido às dúzias! - esclareceu a Ana. Que raio de coisa estariam eles a ver para que nem sequer nos prestassem atenção?! Bem... eu e a Rosarinho ali estávamos, sentindo-nos a mais, a olhar para a barafunda em que aquele quarto estava transformado e ao mesmo tempo a tentar perceber o que se estaria a passar de tão interessante! E só muito mais tarde, quando o Joaquim se foi embora («Está na hora de fazer o meu assalto de Carnaval» - informou ele, levantando-se) é que viemos a saber, pelo Coronel, do que se tratava: - O grande pirata não tem emenda! Eu bem o quero regenerar mas está a ser muito difícil! Muito difícil! - comentou o nosso amigo, tendo abandonado definitivamente o ar folião e expressando-se num tom deveras preocupado. Como vimos ultimamente o Coronel até tinha conseguido alguns progressos: Oferecera ao Joaquim Tira-Tripas um 486 com modem, arranjara-lhe uma ligação à Internet e um endereço de correio electrónico, e conseguia, de certa forma, usar as ''novas tecnologias'' para o entreter e desviar dos ''maus caminhos''... - Mas receio que tenha sido tempo perdido, amigo Jeremias! O maroto, assim que se apanhou com aquela tralha toda, começou logo a pensar no que é que podia fazer de mal! E não fora difícil descobrir: Certos meios de comunicação social são especialistas em fazer sobressair o ''lado negro da Internet''. E não existe crime, perigo, nem malandrice cibernáutica que deixe de ser publicitada nas suas primeiras páginas! Estando Portugal tão atrasado em relação ao resto do mundo, eu sempre pensei que apregoar de forma tão exagerada os perigos da Internet é o mesmo que explicar a um esfomeado os perigos da indigestão! Mas adiante. O certo é que o Joaquim queria, por força, transformar-se num criminoso do ciberespaço e contava aprender essa arte com o Coronel! Ele nem sabia muito bem como é que se pronunciava a palavra hacker e, a bem dizer, nem fazia ideia do que isso era. Só sabia que se tratava de algo ilegal que se podia fazer com um computador e com a Internet e isso bastava para lhe pôr os olhinhos a brilhar! - Pois, aproveitando o Carnaval, combinei com a Ana chamá-lo aqui para lhe pregarmos uma mistura de susto e de partida! - Começou, finalmente, o Coronel a explicar - Como viste, estivemos a convencê-lo de que agora é muito perigoso ser-se hacker, e a mostrar-lhe um site que vende daqueles aparelhos eléctricos... Eu, cada vez percebia menos! Vendo a minha cara de incompreensão total o Coronel deu uma gargalhada, encheu uma taça de champanhe para cada um de nós, e finalizou: - Então não viste como ele ficou em pânico ao ver que agora até há electrodomésticos para matar ácaros?
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